Uma nota alta não conta a história inteira. Um contrato pode render bem hoje e, ainda assim, carregar uma concentração de cliente, uma margem apertada ou um prazo curto que o tornam frágil amanhã. O desempenho mede o presente; o risco mede o que pode tirar esse presente de você.
O Índice de Risco do Contrato é um índice composto que mede, em escala objetiva de 0 a 8, o nível de risco associado a um contrato — de forma independente da Nota Final. Enquanto a Nota Final exprime desempenho, o IRC exprime risco e continuidade. Ele é calculado para todo contrato ativo e exibido no Quadro de Notas, em coluna própria, ao lado da Nota Final.
As dimensões de risco
O IRC é composto por quatro dimensões. Cada uma atribui pontos somente quando a respectiva condição de risco é atendida — um contrato saudável simplesmente não pontua. Quanto mais condições disparam, mais alto o índice.
As quatro dimensões aplicam-se a todo contrato ativo. As condições de risco de cada uma — e os respectivos parâmetros de corte — são calibradas para cada empresa na Configuração por Cliente.
Como o índice é calculado
O IRC soma os pontos das condições disparadas e normaliza esse total para a escala de 0 a 8. Como as quatro dimensões valem, juntas, no máximo 7 pontos, a divisão por esse teto e a multiplicação por 8 reposicionam qualquer contrato na mesma régua — preservando a comparabilidade entre contratos e entre ciclos.
Sete é a soma máxima das quatro dimensões; multiplicar por 8 coloca o resultado na régua de 0 a 8. Assim, dois contratos quaisquer permanecem comparáveis na mesma escala.
As faixas de risco
O valor final cai em uma de três faixas, do verde ao vermelho. Cada faixa não é um rótulo — é o tratamento que ela exige, do acompanhamento de rotina à ficha de crise obrigatória.
“A Nota Final diz o quanto o contrato vale. O IRC diz o quanto você pode perdê-lo. Decidir bem exige ler os dois ao mesmo tempo.”
Um exemplo concreto
Considere um contrato com resultado operacional de 8%, custo operacional em 70% da receita, backlog de 14 meses e maior cliente respondendo por 45% da receita. Só duas condições disparam:
Por que esses limiares?
Os cortes do IRC não são arbitrários — cada um nasce da realidade dos contratos de supervisão e consultoria em infraestrutura rodoviária, onde a disputa por licitações e a dependência de contratantes públicos moldam o risco. É o que sustenta cada ponto atribuído.
Quando o resultado já não tem folga
resultado operacional < 10%A disputa por licitações pelo menor preço empurra os resultados para perto de zero. Abaixo de 10%, qualquer variação operacional — atraso de obra, redimensionamento de equipe, pagamento atrasado do contratante — elimina o que sobra. O limiar marca o ponto em que a viabilidade financeira deixa de absorver imprevistos.
Um setor intensivo em custo fixo
custo operacional > 65%Mão de obra, veículos e instalações concentram o custo direto — itens de peso elevado e pouca flexibilidade. Paralisações e reduções de ritmo nas obras, riscos inerentes ao setor, desequilibram a operação. Acima de 65%, qualquer corte de medição ou suspensão parcial leva o contrato ao prejuízo, sem margem de absorção.
O prazo preso ao ritmo das obras
saldo de prazo < 6 mesesO prazo desses contratos costuma estar atrelado ao andamento da obra que supervisionam. Quando o saldo cai abaixo de 6 meses sem prorrogação prevista, a empresa entra no período terminal sem garantia de continuidade de receita — o que torna o saldo de prazo um preditor crítico de descontinuidade.
Quando um só contratante move tudo
maior cliente > 60% da receitaContratantes públicos operam em ciclos orçamentários sujeitos a contingenciamentos, trocas de gestão e reavaliação de prioridades. Uma regional com mais de 60% da receita em um único contratante fica exposta a esse risco sistêmico de forma desproporcional: quando o orçamento daquele órgão trava, a carteira inteira trava junto.
Como o IRC conversa com o resto
O IRC não compõe a Nota Final — é indicador autônomo, lido em paralelo. Seu papel maior é à frente: ele é o eixo de risco da Classificação Estratégica, cruzado com o desempenho para definir o destino de cada contrato — expandir, manter, renegociar ou encerrar. E ele se apoia na metodologia: a dimensão D3 utiliza a Vida do Backlog calculada à parte. Assim, desempenho, risco e decisão se encadeiam sem que nenhum dos três contamine a medição do outro.
Veja o IRC de cada contrato da sua carteira.
O diagnóstico inicial entrega a Nota Final, o IRC e a Classificação Estratégica de cada contrato — o Quadro de Notas que coloca desempenho e risco lado a lado para decidir com clareza.
Agende um diagnóstico →Os valores do exemplo são ilustrativos. As condições de risco de cada dimensão e os parâmetros de cálculo são calibrados para cada empresa na Configuração por Cliente.

